Pular para o conteúdo principal

Astrônomos podem finalmente ter feito a primeira foto de um buraco negro

Depois de cinco noites de observações, os astrônomos podem finalmente ter capturado a primeira imagem de um buraco negro.

Mais precisamente, o retrato esperado é de uma misteriosa região que envolve o buraco negro, chamada de horizonte de eventos – o limite para além do qual nada, nem mesmo a luz, pode escapar do gigantesco objeto.

A sensação de alívio dos pesquisadores ao finalizar a última rodada de observações veio com um misto de antecipação: tantos dados vão levar um bom tempo para serem processados. A equipe deve esperar meses para descobrir se seu enorme esforço foi realmente um sucesso.

A rede de observações

Chegar a esse ponto levou anos de planejamento e cooperação entre parceiros internacionais em observatórios que se estendem desde a montanha mais alta do Havaí até o terreno congelado do Polo Sul. Esta rede ligada eletronicamente de oito observatórios criou um telescópio virtual tão largo quanto todo o planeta.

Conhecido como o Telescópio do Horizonte de Eventos, a rede abriu os seus olhos para os céus durante uma janela de 10 dias que começou em 4 de abril.

O telescópio se concentrou em dois buracos negros supermassivos: um com massa de quatro milhões de sóis chamado Sagitário A*, que está no coração de nossa galáxia Via Láctea, e outro cerca de 1.500 vezes mais pesado no núcleo da galáxia vizinha M87.

O telescópio já sondou a vizinhança desses gigantes antes, mas esta é a primeira vez que a rede inclui o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), um grupo de 66 telescópios de rádio no Chile. O ALMA melhora em 10 vezes a acuidade das observações, permitindo detectar objetos tão pequenos quanto uma bola de golfe na lua.

O problema climático

Mesmo com toda a premeditação, a equipe de pesquisa estava à mercê de algo sobre o qual não tinham controle: o clima.

Os astrônomos observam buracos negros em ondas de rádio milimétricas, a banda de comprimento de onda na qual a luz pode penetrar densas concentrações de gás e poeira no centro da galáxia e viajar relativamente desimpedida à Terra. Mas a água absorve e emite ondas de rádio, o que significa que precipitação confunde as observações.

Para minimizar este problema, os radiotelescópios são colocados em altitudes elevadas, como os topos das montanhas ou altos planaltos desérticos, mas as nuvens, o vento forte, a chuva ou a neve ocasionais ainda podem estragar tudo. “A probabilidade de ter realmente bom tempo em cada local é quase zero”, diz Fish.

Com apenas algumas noites disponíveis durante a janela de observação, os pesquisadores se reuniram diariamente para tomar a decisão de ativar a rede, manipulando informações sobre as condições climáticas em cada local e como essas condições poderiam mudar nos próximos dias. A probabilidade de tempo excelente é quase zero, por isso as decisões foram bastante delicadas.

A espera

Agora que os cinco dias de observações foram completados, os astrônomos têm meses de análise para descobrir se produziram o retrato de um buraco negro.

Cada observatório registra tantos dados que eles não podem ser transmitidos eletronicamente. Em vez disso, as informações de todos os telescópios – equivalente à capacidade de armazenamento de dez mil laptops – foram gravadas em 1.024 unidades de disco rígido. As unidades devem ser enviadas para os centros de processamento no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA) e no Instituto Max Planck de Radioastronomia (Alemanha). Os discos rígidos do telescópio do Polo Sul não podem ser lançados até o fim da temporada de inverno, no final de outubro.

Uma vez que os dados cheguem a cada centro de processamento, uma pilha de servidores executará a importante tarefa de combiná-los. Isso deve ser feito com um cuidado extraordinário, de modo que nenhuma informação crítica sobre o tamanho e a estrutura do horizonte de eventos seja perdida.

A técnica de combinação de ondas de rádio, conhecida como interferometria de linha de base muito longa, é bastante comum na radioastronomia. No entanto, geralmente os telescópios não são tão numerosos nem espalhados por uma área tão grande.

O que veremos

O que os astrônomos esperam finalmente ver quando somarem todos os sinais é um halo de luz envolvendo um círculo escuro – a sombra do buraco negro. O crescente de luz vem de gases luminosos, aquecidos a centenas de bilhões de graus, que orbitam o entorno do buraco negro. Algumas simulações sugerem que o halo pode ser mais brilhante e espesso de um lado do que do outro.

O resultado final com certeza não vai ganhar nenhum concurso de fotografia.

“Mesmo que as primeiras imagens sejam ruins, já podemos testar pela primeira vez algumas previsões básicas da teoria da gravidade de Einstein no ambiente extremo de um buraco negro”, disse o astrônomo Heino Falcke, da Universidade Radboud, nos Países Baixos.

Introduzida em 1915, a teoria revolucionária de Einstein diz que a matéria deforma ou curva a geometria do espaço-tempo, e experimentamos essa distorção como gravidade. A existência de buracos negros extremamente massivos foi uma das primeiras previsões dessa teoria. No entanto, os astrônomos têm apenas provas circunstanciais de que eles estão mesmo escondidos no coração de cada grande galáxia do universo. Mesmo Einstein não tinha certeza de que eles realmente existiam.

As primeiras imagens desse objeto “transformarão buracos negros de algo mítico em algo concreto que podemos estudar”, segundo o cientista.
Paciência

Mesmo que os pesquisadores acabarem por constatar que não geraram uma imagem nesta tentativa de observação, eles já têm planos para tentar novamente no próximo ano, com uma rede ainda maior de radiotelescópios.

“Nos próximos 10 a 50 anos devemos até mesmo ser capazes de fazer imagens nítidas à medida que estendemos a rede para a África e, finalmente, para o espaço”, afirma Falcke.

Fonte: NatGeo

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Misterioso objeto isolado é investigado por astrônomos

Uma equipe internacional de astrônomos investigou recentemente um misterioso objeto designado CFBDSIR J214947.2-040308.9, a fim de tentar revelar sua natureza. Infelizmente, ainda não sabemos do que se trata, mas supõe-se que ele seja uma massa planetária jovem e errante, ou uma anã marrom de baixa massa e alta metalicidade. Os resultados de novas observações podem ajudar os cientistas a distinguir entre essas duas classes. Dúvida O objeto foi detectado pela primeira vez em 2012 por Philippe Delorme, da Universidade de Grenoble Alpes, na França, e seus colegas. Na época, a equipe pensou que ele poderia ser um membro do grupo movente AB Doradus. Após sua descoberta, foi classificado como um candidato a massa planetária isolada. No entanto, devido à falta de evidências convincentes para suportar a hipótese de que o CFBDSIR 2149-0403 se formou como planeta e posteriormente foi ejetado, não se pode excluir a possibilidade de que seja uma estrela anã marrom de baixa massa. Complicação Pa...

O Telescópio Hubble completou 27 anos e estas são algumas das fotos mais incríveis que ele tirou

Para muitos entusiastas, o Telescópio Espacial Hubble se parece mais como um amigo do que um pedaço de metal no espaço – um amigo que tem um emprego super legal. O telescópio, lançado no ônibus espacial Discovery em 1990, já enviou para a Terra algumas das imagens mais incríveis do universo – mais de 1,3 milhão de observações de planetas, galáxias e muito mais, tudo isso girando a quase 30 quilômetros por hora entorno do nosso planeta. Ontem (24), o Hubble completou 27 anos, superando as expectativas mais otimistas da NASA por mais de uma década. Ele já tem idade o suficiente para votar, fazer apostas e até mesmo alugar um carro. Reunimos algumas das fotos mais atemporais do telescópio, que são mais do que um presente para nós: Par de galáxias espirais NGC 4302 e NGC 4298 Imagem: NASA, ESA e Hubble  Heritage Team (STScI/AURA) Esse plano detalhe de par de galáxias foi revelado no dia 20 de abril de 2017, a tempo do aniversário do Hubble. As galáxias – chama...

Mercúrio é fotografado pela primeira vez a partir da sua órbita

A NASA já recebeu as primeiras fotografias tiradas pela sonda Messenger que está a orbitar Mercúrio. O planeta mais próximo do Sol nunca tinha sido fotografado a partir da sua órbita. A fotografia mostra o Sul de Mercúrio a preto e branco coberto de crateras. Um dos acidentes geográficos mais importantes que se pode ver é a enorme cratera Debussy, com os seus raios brancos formados a partir do material projetado durante a colisão do meteoro, que se prolongam por centenas de quilómetros. Do lado esquerdo desta cratera, a oeste da Debussy, está a cratera Matabei, menor e com raios escuros. Os cientistas pensam que estes raios são provenientes de material escuro, que estava em profundidade, e foi ejetado durante a colisão de outro meteoro. A parte inferior da fotografia mostra a superfície da região perto do Pólo Sul do planeta, que até agora não tinha sido registada por nenhuma sonda. Já existiam fotografias de Mercúrio tiradas a partir da Terra e durante as apro...

Encontrado planeta mais parecido com a Terra

Encontrado planeta parecido com a Terra orbitando uma estrela na constelação de Libra chamada Gliese 581. O planeta possui três vezes o tamanho da Terra, mas curiosamente o ano lá equivale a pouco mais de um mês terrestre e aparentemente o planeta não tem movimento de rotação como a Terra, ele possui um lado iluminado por uma estrela anã vermelha e o outro totalmente escuro como a nossa Lua. A descoberta foi feita por Astrônomos da Universidade da Califórnia e da Carnegie Institution de Washington divulgada nesta quarta-feira 29 de setembro e pode ser o primeiro com condições reais para abrigar vida, mas os cientistas afirmam que os seres vivos lá podem não ser parecidos com os daqui, o grupo descobriu o planeta mais parecido com a Terra já visto, e, mais importante, demonstrou o poder de uma nova técnica sensível à detecção de planetas habitáveis. A distância do planeta em relação à estrela, segundo os astrônomos, permite que ele tenha um clima ameno, nem tão frio nem ...

Jipe robô da Nasa se aproxima de Marte para pesquisas

A Nasa informou que uma nave espacial que leva o jipe robô Curiosity para Marte realizou, com sucesso, nesta quarta-feira, a maior manobra planejada para a sua jornada. A agência espacial americana disse que a manobra durou três horas e pertendia alinhar a trajetória da nave para o seu pouso em uma cratera de Marte, planejado para o dia 5 de agosto. A trajetória da nave está cerca de 40 mil quilômetros mais próxima do planeta vermelho, adiantando o tempo de encontro em aproximadamente 14 horas. Nesta quinta, a nave terá percorrido 130,6 milhões de quilômetros da sua viagem de 567 milhões em direção a Marte. A operação começou no dia 26 de novembro de 2011. A velocidade será de cerca de 16,6 km/h em relação à Terra e aproximadamente 110,5 km/h em relação ao Sol. O Curiosity é o veículo mais avançado já projetado para explorar outro planeta, e tem o custo de US$ 2,5 bilhões. O jipe robô passará dois anos em Marte investigando se o planeta tem, ou já teve, condições favorávei...

Sonda Voyager chega próximo a fronteira do Sistema Solar

lançada há 33 anos, a sonda espacial Voyager 1, a 17,4 bilhões de km de casa, está perto da fronteira do Sistema Solar.  A sonda é o objeto feito pelo homem mais distante da Terra e começou a identificar uma mudança nítida no fluxo de partículas à sua volta. Estas partículas, emanadas pelo Sol, não estão mais se dirigindo para fora e sim se movimentando lateralmente. Isso significa que a Voyager deve estar muito perto de dar o salto para o espaço interestelar - o espaço entre as estrelas. Edward Stone, cientista do projeto Voyager, elogiou a sonda e as incríveis descobertas que ela continua enviando à Terra. "Quando a Voyager foi lançada, a era espacial tinha apenas 20 anos de idade, então não era possível prever que uma sonda espacial pudesse durar tanto tempo", disse ele. "Não tínhamos ideia do quanto teríamos que viajar para sair do Sistema Solar. Sabemos agora que em aproximadamente cinco anos devemos estar fora do Sistema Solar pela primeira vez"...